Consumo de café despenca 16% em abril com disparada nos preços, aponta associação
Alta de até 85% nos preços de diferentes tipos de café faz consumo cair quase 16% em abril. Segundo a Abic, é a maior inflação do setor em 30 anos.
O consumo de café no Brasil registrou uma queda de 15,9% em abril de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A forte retração é atribuída à escalada dos preços, que subiram até 80% em 12 meses — a maior inflação do setor em três décadas, segundo o IBGE.
Entre janeiro e abril deste ano, as vendas acumuladas caíram 5% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando 4,7 milhões de sacas de 60 quilos. Os números se referem às vendas no varejo, que respondem por cerca de 73% a 78% do consumo interno.
Entre os tipos de café, o solúvel foi o que mais encareceu em abril, com alta de 85%. A Abic também registrou aumento nos seguintes segmentos:
- Café gourmet: +56%
- Tradicional ou extraforte: +50%
- Café especial: +42,3%
- Café superior: +29%
O que provocou a alta dos preços?
A associação já havia alertado em fevereiro que os preços continuariam subindo, pois os custos com a matéria-prima ainda não haviam sido totalmente repassados ao consumidor. Entre os principais fatores que pressionaram os preços, especialistas apontam:
- Calor e seca prolongada: o estresse climático nos últimos anos, com geadas e ondas de calor, afetou o desenvolvimento das lavouras.
- Queda da oferta global: países produtores como o Vietnã enfrentaram problemas climáticos e perdas significativas de safra.
- Altos custos logísticos: conflitos no Oriente Médio elevaram o custo do transporte marítimo e dos contêineres usados para exportação.
- Aumento da demanda: o café segue como a segunda bebida mais consumida no Brasil e no mundo, o que impulsiona a demanda internacional e reduz a oferta doméstica.
veja tambem: STF mantém prisão do general Braga Netto por tentativa de golpe de Estado
Diante desse cenário, o impacto no bolso do consumidor se intensificou, afetando diretamente o consumo de uma das bebidas mais tradicionais do país.